Desde a última quinta-feira (10/4), o Brasil voltou a exigir visto de entrada para turistas provenientes dos Estados Unidos, Canadá e Austrália — uma decisão que reacende debates no setor de turismo nacional. Para a Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA) e para o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Pouso Alegre/MG (SINDIPA), a medida representa um retrocesso e pode afetar diretamente o fluxo de visitantes internacionais, prejudicando a economia do setor.
A isenção, que havia sido implementada em 2019, buscava impulsionar a vinda de estrangeiros desses países, facilitando o acesso ao Brasil como destino turístico. Agora, com a retomada da exigência de visto, a FBHA e o SINDIPA temem uma queda na competitividade do país em relação a outros destinos latino-americanos.
De acordo com o presidente da FBHA, Alexandre Sampaio, o momento exige estímulos ao turismo, e não barreiras. “A imposição de vistos a turistas de países emissores importantes como Estados Unidos, Canadá e Austrália pode ser um tiro no pé. Estamos indo na contramão de uma política global que visa a facilitação de viagens e o fortalecimento do setor de serviços” , afirmou.
Dados do Painel de Chegadas de Turistas Internacionais ao Brasil, da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), mostram que, em 2024, o Brasil recebeu cerca de 6,7 milhões de turistas estrangeiros. Desses, 728.537 vieram dos Estados Unidos, 96.540 do Canadá e 52.888 da Austrália. Do total de visitantes internacionais, pouco mais de 43 mil entraram no país por Minas Gerais.
Para Rolando Brandao, presidente do SINDIPA e vice-presidente da Abrasel Sul de Minas, toda e qualquer burocracia para viajar, impacta diretamente na demanda por um destino. A taxa para solicitação do visto será de US$ 80,90 e os estrangeiros só poderão permanecer no Brasil por até 90 dias. Isso acende um alerta entre representantes do setor turístico em Minas Gerais.
“Pouso Alegre tem se tornado um polo industrial e empresarial, o que faz a procura aumentar, principalmente em dias da semana, por hotéis e restaurantes. O turismo de negócios deve ser menos afetado, já que esse tipo de viajante vem ao país com objetivos profissionais e compromissos previamente definidos. Mas e o turismo de lazer e gastronômico? Essa medida coloca o Brasil em desvantagem na competição por turistas com países da América Latina que não exigem vistos” , disse Rolando Brandão.
Ainda segundo a FBHA, os impactos negativos do decreto do Poder Executivo podem ser sentidos de forma imediata em áreas como hospedagem, alimentação, transporte e comércio local, especialmente em cidades cuja economia depende fortemente do turismo internacional. Diante do fato, a federação propõe três caminhos para mitigar os efeitos da decisão:
• Negociação bilateral com foco no turismo – estabelecer acordos diplomáticos que visem a reciprocidade facilitada, com processos de visto mais rápidos e acessíveis, especialmente para turistas com intenção comprovada de viagem de lazer ou negócios.
• Criação de vistos eletrônicos simplificados – adotar sistemas digitais que agilizem o processo de solicitação, com menos burocracia, tempo de espera reduzido e taxas menores, tornando a entrada mais atrativa.
• Campanhas internacionais de promoção turística – investir em campanhas nos mercados afetados para reforçar a imagem do Brasil como um destino desejável, seguro e acolhedor, compensando possíveis entraves criados pela exigência do visto.
Enquanto o setor turístico luta diariamente para se manter ativo, a FBHA defende que o momento exige políticas de estímulo, e não de restrição. Para a entidade, a retomada da obrigatoriedade do visto é mais um obstáculo num momento em que o país deveria estar apostando no turismo como motor de crescimento econômico e geração de empregos.
Apesar de a decisão já estar em vigor, representantes do setor turístico ainda buscam formas de pressionar por uma revisão.
Como ser um associado
Os empresários do ramo dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Pouso Alegre que quiserem se associar ao Sindicato devem buscar informações pelo telefone (35) 9 9948-2278. Conheça nossos benefícios para sua empresa!